Gelcí Teresinha Quevedo Agne
"Aquilo que não sei cantar, digo e o que não sei dizer, poetizo."
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Meu Diário
01/05/2015 22h39
Lições de Pedro

                               

     
     Pedro meu neto, tem um ano e quatro meses e ainda não se soltou totalmente para caminhar. Dá alguns passos e volta a engatinhar... brinca de andar de joelhos, tenta correr, cai, levanta, vai de novo, insiste... enfim, vai no ritmo dele, quando e como se sente seguro para fazê-lo.

     
     Observo Pedro e penso em algumas situações da vida adulta... quantos passos incertos se dá pela vida afora por agir-se precipitadamente, ao forçar a ação sem compreender suficientemente a situação. Em alguns momentos, passos duvidosos, sem saber onde se pisa, não é nada prudente... e, cair e levantar pode acabar virando hábito! Acostuma-se repetir a ação, sem reflexão! Situação que me remete a importância do ato de refletir, no qual continuo a arriscar-me...

     Para Pedro, não necessariamente a mão, basta segurar o dedo de alguém, que vai longe, caminha distâncias. Mas, a ausência do outro ainda o assusta... a independência total gera desconforto, e inseguro, não se permite arriscar passos mais longos... Sabe-se a importância da mão amiga, a solidária, fraterna e imprescindível convivência que nos faz crescer...
 Pedro daqui a pouco vencerá essa etapa e correrá por aí, andando com as próprias perninhas. A ajuda fraternal porém, será indispensável por toda a vida.

          Então, outro questionamento me permito... O ser humano é biologicamente social... emocionalmente, porém, necessita constituir-se sujeito independente, tornar-se capaz de cuidar de si e dos demais de maneira saudável.   Pedro assim como toda criança, ao seu tempo caminhará só e oxalá outras rupturas emocionais fará também a seu ritmo e tempo... Mas que dizer daqueles adultos que têm dificuldade de se independizar e, seguem vida afora dependentes, acumulando medos, inseguranças e quanto mais recorrentes, maior possibilidade de tornarem-se habituais... Insistir permanecer agarrado à mão do outro, à opinião do outro, é não autorizar-se a ser e, se só se é sendo, é abreviar o processo de autonomia e independência, reforçando inseguranças e dependências.

         
     Não cresce, não avança para outro ciclo, não muda de fase, aquele que permanece na co-dependência do consentimento alheio, continua à mercê da vontade do outro, como na brincadeira infantil: "Mamãezinha posso ir, quantos passos posso dar?" Quanta oportunidade desperdiçada pelo medo de ousar, arriscar, inovar e assumir as próprias escolhas!!! Aquele que teme e não arrisca andar com as próprias pernas, tem duas certezas: não cairá, tampouco irá avançar...

          Obrigada Pedro por oportunizar-me pensar como e a quanto andam meus passos na caminhada da vida? 


Publicado por Gelci Agne em 01/05/2015 às 22h39
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