Gelcí Teresinha Quevedo Agne
"Aquilo que não sei cantar, digo e o que não sei dizer, poetizo."
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I-DI-OTAS

     Conta-se que certa vez, numa terra muito distante habitava um povo dividido em três classes distintas, as quais viviam e sobreviviam umas à custa de outras. I, a classe superior, classe dominante. DI, a classe média, embora sendo DI, alguns bancavam a pose de I. Depois destes, a terceira classe, os OTAS.

     I-DI-OTAS vivendo todos sob a dominação de I, que se tratava da minoria, mas por deter o maior poder econômico, organizada política, midiática e judicialmente, detinha todo o poder sobre os demais... DI, a segunda classe, apesar de não possuir capital de giro, tentava igualar-se ao poder de I e, por exercer atividades liberais, seja no comércio, na prestação de serviços ou outras atividades que equivalham-se, alimentando o desejo de comparar-se a I, mantinham a aparência para ostentar certo poder, ainda que falso. Em terceiro e último lugar nessa extratificação social, encontrava-se a grande e absoluta maioria: OTAS. Em situações deshumanas, sobreviviam em submoradias, subsaúde, subtrabalho, subeducação... sub... sub... dessa forma na mesma terra, onde I dominava, DI suava para ostentar e OTAS se deixava covardemente, explorar. Assim, I-DI-OTAS, cada um do seu jeito viviam...

     Conta-se que alguns dentre OTAS acordaram... alguns inconformados, levantaram-se e, paciente e impacientemente, por longo tempo foram demonstrando aos demais que organizados também teriam direito à vida digna e poderiam viver com menos injustiças e, que para tanto, não necessariamente, significaria inverter a pirâmide:

                                                      I
                                                    D I
                                                O T A S


     Bastaria minimizar as diferenças para construir vida digna também aos OTAS e oportunizar aos seus filhos educação de qualidade... assim poderiam deixar de ser OTAS e viveriam com menos dificuldades como DI. Por um determinado período deu certo. Milhões de OTAS passaram a ser DI, por um certo tempo I-DI-OTAS experimentaram uma convivência fraterna, menos excludente e injusta, oportunizando a grande maioria viver com dignidade, sob a lógica de uma outra terra possível...
     
     I começou a TEMER a perda de seus privilégios... afinal, estava passando da conta... ora como permitir tantos filhos de OTAS tornando-se doutor, OTAS adquirindo casa, móveis, carros e, até viajando de avião, inclusive para o exterior... Inadimissível!!! FORA! Basta! Inconformados foram articulando-se, agregando muitos DI e até alguns OTAS que se deixaram influenciar... Diz-se até que para isso, lá por aquela terra, valeram-se de uma caixinha mágica, assim foi possível disseminar o ódio e a intolerância, massificar as ideias e, seduzir os ingênuos, hipnotizados pelo senso comum... todos I-DI-OTAS pela ação ou pela omissão, contribuíram para armar-se uma cilada e a pirâmide novamente ser arquitetada... Infelizmente, todos I-DI-OTAS contribuíram para que I retomasse o poder... o que resta agora naquela terra de I-DI-OTAS?

     Eles... restam eles, todos os I-DI-OTAS e suas tolas caixinhas mágicas!!!
Gelci Agne
Enviado por Gelci Agne em 28/09/2016
Alterado em 30/09/2016
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